segunda-feira, 20 de agosto de 2007



A Vida Com Cão
A nossa vida com os cães, não há necessidade de imaginá-la, pois estamos vivenciando-a a muito tempo e já sabemos como ela é. Muito freqüentemente o homem ou o casal adquire um cão para atender a duas pseudo-realidades: a primeira é aquela de que adquirindo um cão e colocando-o em sua casa, ele irá trazer mais segurança. Será? Para quem? A segunda é aquela quando os filhos atingem uma idade em torno de seis ou sete anos e os pais passam a julgar que um cão agradaria, sobremaneira aos seus filhos. Será que não é também para a sua satisfação intima? No primeiro caso, o cão escolhido deverá ser um hot qualquer coisa, pois quanto mais agressivo for, melhor. É necessário que seja um cão sanguinário e assassino, pois é para a segurança da casa. Esquecem de sua própria segurança, da segurança dos familiares, e, também, de todos que habitam ou freqüentam esta residência. Sem falar na segurança dos vizinhos, e de quem passar próximo a casa. Não é raro acontecer acidentes por mordedura do cão em pessoas alheias, em familiares e, às vezes, no próprio dono do cão. No caso da compra para agradar os filhos, o cão escolhido é, geralmente, de outra raça, menos violento, mas poluidor como todos os cães são. Também, neste caso ocorre a possibilidade dos cães provocarem acidentes, como os que ocorrem com freqüência, dos quais temos notícias, pela mídia. Tanto no primeiro como no segundo caso é comum o dono levar cotidianamente seu cão para um passeio pela rua. Alguns donos chegam a soltar o animal para a sua voltinha costumeira, enquanto que outros conduzem seus cães com coleira e focinheira. Neste passeio canino estes animais usam do seu faro e vão cheirando tudo, principalmente portões, postes e árvores, e é neste passeio que os cães aproveitam para fazer suas necessidades, lançando seus dejetos nas calçadas, bem em frente as residências de vizinhos mais próximos. Estes cães gostam de lançar seus produtos nauseabundos sempre nos mesmos lugares e com isso vão infectando os passeios públicos. Comumente, isto ocorre sob os plácidos olhares do seu dono. Outro ponto a ser considerado a respeito dos cães é que eles são transmissores de parasitoses e de muitas outras variedades de doenças. Fizemos estas poucas colocações sem a pretensão de esgotar o assunto, que é longo, mas, vamos agora imaginar a nossa vida sem os cães. Se não houvesse cães, você não precisaria tomar os cuidados que toma quando sai de casa para o seu passeio matinal nos arredores de sua residência. Não precisaria estar olhando onde pisa e nem se desviar dos dejetos nauseabundos que os cães depositam nas calçadas. Por mais cuidado que você tome é sempre possível pisar em objetos cilíndricos e fedorentos que abundam estas calçadas. Isto não existiria. Um outro fato interessante que deixaria de existir é aquele que você experimenta todas as vezes que passa muito próximo dos portões ou das grades das residências onde tem um cão. Somos surpreendidos pelo latir vibrante do cão ou dos cães, que acaba por assustar a todos. Presenciei, certo dia, uma velhinha que ia a minha frente e que ao passar por um portão, o cão passou a ladrar ferozmente e o susto foi tanto, que a velhinha caiu sentada e rolou no chão, esbaforida. Felizmente ela contou com o auxilio de várias pessoas que vieram em seu socorro e só depois de algum tempo ela se recompôs, isto depois de trazerem uma cadeira para se sentar e um copo de água com açúcar, para beber. Isto também deixaria de existir se não houvesse os cães. Sem os cães você se sentiria mais seguro ao andar pelas ruas e não precisaria se esquivar deles, nem precisaria atravessar para o outro lado da rua. Tudo isso para não sofrer um ataque inesperado de um mastim violento. Se não existissem cães, muitas brigas entre vizinhos também não aconteceriam. Você, também, não teria que conviver com aquele recanto da casa que você não mostra aos seus amigos, principalmente pelo desagradável odor que exalam destes lugares. Sem os cães não existiriam manchetes de jornais noticiando pessoas que foram atacadas e mesmo mortas, como os casos já acontecidos e amplamente noticiados pelos meios de comunicações. O dispêndio de dinheiro é outro fator que não existiria e que dificilmente é levado em conta quando se adquire um cão. Não é só o valor da compra, mas, sobretudo, o custeio da manutenção, que naturalmente devem incluir vacinas, medicamentos, sabões, consultas com veterinários, rações apropriadas, roupas, coleiras etc. Aqui, talvez o etc é o que irá custar mais caro. Por isso, eu pergunto: - Será que vale a pena a vida com cão? 20/05/06 Carlos Roberto Caliento Médico – Professor – Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras

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